1. NUVEM DE PLÁSTICO
O estudo conduzido por De Falco e outros (2020) determinou que uma pessoa vestindo 1 kg de poliéster durante 8 horas lança ao ar por dia cerca de 2.82 milhões de microplásticos (microfibras).
Por ano, uma só pessoa nesse ritmo lançaria ao ar 1 bilhão e 30 milhões de microfibras.
O poliéster cria uma “nuvem” invisível de microplásticos ao seu redor com as microfibras que se soltam do tecido, e você e os outros ao redor os inalam sem perceber.
Além disso, esses microplásticos também penetram em nós através da pele (Schneider M. et al. 2009).
2. TOXICIDADE
Diversos estudos in vitro e in vivo mostraram que microplásticos causam impactos graves no corpo de humanos e de outros mamíferos, e estão associados ao câncer (Prata 2020).
Swee-Li Yee e outros (2021) reuniram várias dessas evidências. Eis algumas:
- Inflamação exacerbada em células neoplásticas malignas (Forte et. al. 2016; Prietl et al. 2014);
- Inflamação de células pulmonares (Brown et al. 2001);
- Inflamação no fígado (Deng et. al., 2017);
- Danos físicos, apoptose, necrose, estresse oxidativo e respostas imunes (Wright et al. 2017; Oliveira et al. 2019; Qiao et al. 2019);
- Riscos de distúrbios metabólicos à prole (Luo et al. 2019);
- Efeitos adversos na neurotransmissão (Deng et al. 2017);
- Infertilidade (Shafik 1993).
Qualquer tecido de plástico libera tal “nuvem de plásticos” em torno de si e dos outros. Vejamos o caso com a poliamida.
Um estudo de Cary et al. (2023), no qual ratos foram expostos a partículas de poliamida por inalação, mostrou-se um aumento nos níveis circulantes da citocina pro-inflamatória Interleucina-6 (IL-6).
Esses achados são consistentes com estudos epidemiológicos e em animais que indicam que a inalação de partículas pode gerar inflamação sistêmica (Tsai et al., 2012; Pope et al., 2016).
A recente pesquisa de Alijagic et al. (2024) embasou tais achados, mostrando que a exposição diária e repetida à polimida irrita as células de defesa do corpo, fazendo com que elas liberem substâncias que geram inflamação.
3. CECÊ
O estudo de Callewaert et al. (2014) comparou a proliferação de colônias bacterianas em tecidos de algodão, poliéster e de poliamida após atividades físicas. Adivinhem o que todos já sabem por experiência?
Que o poliéster é o mais fedorento dos tecidos. Eis a conclusão do estudo:
Esta pesquisa mostrou que roupas de poliéster geram um mau odor significativamente maior em comparação com roupas de algodão após uma sessão de exercícios e um período de incubação.
Por que isto acontece? De acordo com os autores,
O poliéster é uma fibra sintética derivada do petróleo e não possui propriedades naturais. Por essa razão, as fibras sintéticas apresentam uma capacidade de adsorção muito baixa devido à sua estrutura molecular. O algodão é uma fibra natural originária dos algodoeiros do gênero Gossypium. Essas fibras de algodão consistem quase puramente em celulose, que possui uma alta capacidade de adsorção. Além da umidade, os odores são adsorvidos, e menos mau cheiro é emitido. Uma segunda razão pode ser explicada pelo crescimento bacteriano distinto nos diferentes tecidos, em que a Micrococcus spp., causadora do mau odor, tende a se desenvolver melhor em tecidos sintéticos. As fracas propriedades de adsorção e o crescimento bacteriano seletivo de micrococos podem explicar a emissão de mau odor por certas roupas esportivas sintéticas.
O estudo também constatou que uma das bactérias causadoras de mau cheiro, Propionibacterium acnes, apresentou um crescimento notável em tecidos de poliamida.
A poliamida está associada ao chulé
De acordo com o estudo de Callewaert (2014), a poliamida apresentou um crescimento bacteriano muito seletivo, com o maior enriquecimento observado para Propionibacterium spp. O crescimento das bactérias Staphylococcus e Enhydrobacter spp. também foi favorecido. As Propionibacterium spp. são conhecidas por causar um odor ácido e intenso nos pés. O enriquecimento dessas espécies em meias de poliamida tem uma consequência importante na geração de mau odor nos pés.
4. ALERGIAS
O design da fibra sintética do poliéster, devido à sua baixa respirabilidade, induz a vários espécies de determatites.
CORANTES. Como o poliéster retém o calor, o corpo transpira mais. O suor atua como um solvente que "lava" os corantes soltos e as resinas da roupa, transferindo esses agentes químicos diretamente para os poros abertos da pele.
FRICÇÃO. As fibras ásperas do poliéster criam atrito mecânico contra a pele, especialmente durante o movimento ou exercício — desencadeando acne mecânica e irritação.
5. REFERÊNCIAS
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